|
Papéis Avulsos
“Advertência
Este título de Papéis Avulsos
parece negar ao livro uma certa unidade; faz crer que o autor coligiu
vários escritos de ordem diversa para o fim de os não perder. A
verdade é essa, sem ser bem essa. Avulsos são eles, mas não vieram
para aqui como passageiros, que acertam de entrar na mesma hospedaria.
São pessoas de uma só família, que a obrigação do pai fez sentar à
mesma mesa.
Quanto ao gênero deles, não sei
que diga que não seja inútil. O livro está nas mãos do leitor. Direi
somente, que se há aqui páginas que parecem meros contos e outras que
o não são, defendo-me das segundas com dizer que os leitores das
outras podem achar nelas algum interesse, e das primeiras defendo-me
com S. João e Diderot. O evangelista, descrevendo a famosa besta
apocalíptica, acrescentava (XVII, 9) “E aqui há sentido, que tem
sabedoria”. Menos a sabedoria, cubro-me com aquela palavra. Quanto a
Diderot, ninguém ignora que ele, não só escrevia contos, e alguns
deliciosos, mas até aconselhava a um amigo que os escrevesse também. E
eis a razão do enciclopedista: é que quando se faz um conto, o
espírito fica alegre, o tempo escoa-se, e o conto da vida acaba, sem a
gente dar por isso.
Deste modo, venha donde vier o
reproche, espero que daí mesmo virá a absolvição.
Machado de Assis
Outubro de 1882.”
|
|
Montaigne’s and Bayle’s Variations: The Philosophical Form of
Scepticism in Politics
Renato Lessa
It is
impossible to exaggerate the importance of Richard Popkin in
any reassessment of the role of scepticism in the
configuration of modern philosophy. The fecundity of Popkin’s
enterprise may be detected in the vast proliferation of
questions that he has prompted. In fact, when re-established
as a major philosophy, queries about scepticism may arise that
are conventionally applied to philosophical traditions whose
relevance has always been acknowledged as undisputed. A far
from exhaustive listing might well include queries about the
morality of scepticism, its anthropology, its attitude towards
science, the possibilities of a sceptical aesthetics and, for
the purposes of these reflections, its modes of perceiving
politics and social life.
| Download PDF |
|
|
O Silêncio e sua Representação
Renato Lessa
Auschwitz, em sua máxima expressão – a do aniquilamento
completo de suas vítimas -, pode ser imaginado como um
experimento de vitória total do silêncio e como supressão
definitiva das vozes humanas. O silêncio impõe-se, ao fim de
tudo, em sua máxima compactação, precedido tão-somente da
inutilidade e finitude dos sons humanos. Tal como um coro em
desespero, as derradeiras vozes terminam por condensar-se no
definitivo operador do silêncio – a morte - e nele se
dissolvem.
| Download PDF |
|
|
A quoi sert la répresentation? ou les
formes de la distinction
Renato Lessa
Une voix
courante entre les politologues d'orientation
institutionnaliste assure la santé et, pourquoi ne pas le
dire, la vertu des mécanismes institutionnels qui configurent
la démocratie au Brésil. La régularité électorale, la
consolidation d’un système pluriel de partis politiques,
fragmentaire mais fonctionnel, une logique législatif
possédant de la rationalité en dépit de sa phénoménologie
parfois bizarre et douteuse, et une corrélation puissante
entre la compétitivité politique-électorale et l’acceptation
universelle des règles du jeu, toutes ces dimensions, dans un
mot, définiraient un ensemble d’évidences à propos de la
consolidation, de la normalité et du plein fonctionnement des
institutions politiques du pays.
| Download PDF |
|
|
Uma História da Dúvida
Renato Lessa
Em 1634, na
cidade de Loudun, na França, o padre Grandier foi acusado de
infestar um convento e suas pobres freiras com legiões de
demônios. O processo ao qual foi submetido foi genialmente
descrito por Aldous Huxley em The Devils of Loudun, em
uma história que mesclava demonologia, fideísmo e devoção
religiosa. O episódio, além de revelar a presença de um enorme
interesse popular e erudito a sobre o tema da possessão
demoníaca, em um século no qual muitos supõem ser marcado pela
força do esprit laïque, suscitou um instigante problema
de ordem cognitiva. Com base em que critérios, questões dessa
natureza – possessões demoníacas – poderiam ser julgadas?
| Download PDF |
|
|
Crueldade e Justiça no contexto da Teoria Política Moderna
Cesar Louis Kiraly
Partimos da seguinte questão: deve a política pensar a crueldade? As
possíveis respostas remeterão a algumas novas questões. Apostamos da
resposta afirmativa. De nossa resposta, em aposta, se segue uma nova questão.
Pode a política não pensar a crueldade? No caso da política não pensar a
crueldade haveria alguma imprecisão em seus conceitos? Perceber onde, na
teoria política, podemos buscar fundações e fundamentos para refletir sobre a
crueldade é bastante complicado. Pois o vocabulário da crueldade é relativamente
estranho para a política. Melhor dizendo, o vocabulário da crueldade foi sempre de
importância secundária, servindo muito mais para adjetivar modos de pensamento
do que propriamente para erigir alguma, mesmo frágil, sistematicidade conceitual.
| Download PDF |
|
|
|