Quem Somos
Iniciado em 2002, o Laboratório de Estudos Hum(e)anos é um espaço de
reflexão, trabalho e inquirição filosófica, com vinculações
multidisciplinares com os campos da teoria política, da ética, da
moralidade e da estética.
O
laboratório pretende estimular investigações no campo da filosofia
política (clássica, moderna e contemporânea) que levem em conta as
pretensões cognitivas e os desenhos de mundo presentes nos diferentes
esforços de invenção e de representação da vida social. A premissa que
informa esta orientação deriva de uma perspectiva fundada na tradição
do ceticismo filosófico. Quer isto dizer que aquele campo é percebido
como marcado por uma diversidade irredutível à operação de critérios
de verdade capazes de estabelecer os termos efetivos da realidade. Uma
realidade diante da qual as diferentes versões de mundo, presentes na
tradição da filosofia política, devem ser cotejadas ou testadas.
A
perspectiva adotada pelo laboratório demarca-se dos diversos
tratamentos contextualistas – presentes em diferentes versões da
história das idéias ou dos conceitos – e busca fixar uma tradição de
trabalho filosófico sobre o campo da reflexão política, ética e moral.
A orientação cética pode, ainda, ser detectada no reconhecimento do
papel desempenhado pela crença no processo de invenção de mundos que
constitui a matéria nobre da filosofia política. Como modalidade
particular da criatividade humana, a filosofia política – assim como a
ética e a filosofia moral – possui, ainda, forte interação – formal e
substantiva – com questões presentes nos campos da arte e da estética.
Vários dos problemas filosóficos relevantes para esses campos
encontram equivalências – quando não identidades – em questões que
incidem sobre a fabricação da filosofia política: forma,
representação, referencialidade, mimetismo. O Laboratório
interessa-se, com particular ênfase, por essa conexão, assim como na
que se estabelece entre arte e moralidade.
Em
vários sentidos, o Laboratório de Estudos Hum(e)anos evoca a figura de
David Hume como referência:
1.
Em sentido
estrito, como espaço de reflexão e investigação sobre a tradição
filosófica do ceticismo, e do papel central que ocupa em sua
configuração moderna a filosofia de David Hume;
2.
Como espaço de
trabalho no campo da filosofia política e moral, percebido como
domínio constituído por atos de crença;
3.
Como lugar de
uma reflexão experimental, voltada para questões de natureza pública,
no sentido empregado por Hume na expressão ciência experimental da
natureza humana: uma forma de conhecimento Atena aos efeitos das
crenças sobre a configuração da experiência do mundo.
A inscrição
filosófica presente no desenho do Laboratório, por suas conexões
céticas, comporta, ainda, a consideração de temas que constituem
experiência da vida comum. Para além de uma agenda cognitivista, o
Laboratório ocupa-se, portanto, de questões de natureza prática,
presentes em uma possível agenda de filosofia pública, voltada para a
reflexão sobre fenômenos, dilemas e eventos traumáticos, e suas
respectivas implicações normativas. Em outros termos, trata-se de
fazer da filosofia política uma potência dotada da capacidade de
intervenção cognitiva, crítica e normativa, diante de fenômenos da
vida pública. O Laboratório apresenta-se como alternativa teórica e
investigativa aos limites normativos presentes no projeto, ainda
hegemônico, de uma ciência social positiva.
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